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A BOLSA DE CHICAGO E O PREÇO DA SOJA (Parte VI)

© Itamar De Zan, 2003.

 

 

Vamos iniciar, neste capítulo, uma breve visita aos métodos de análise e previsão de preços utilizados pelos negociadores na Bolsa de Chicago (CBOT). Embora o futuro ninguém consegue prever com exatidão, via de regra, quem estiver mais bem informado pode realizar melhores negócios. E informação de qualidade tem enorme relevância num ambiente como a Bolsa de Chicago, pois os negócios fechados em pregão são realizados com pessoas ou instituições que querem aproveitar ao máximo o seu investimento, como é normal em qualquer transação comercial. Lembre-se de que nas bolsas de mercados futuros, assim como nas trocas comerciais, a riqueza não surge do nada, ela apenas troca de mãos.

 

 

 

Análise Fundamental

 

A análise fundamental é a forma mais simples de se analisar a tendência dos preços. Dizemos que é fundamental porque diz respeito aos fundamentos que afetam o preço da commodity. No caso da soja, assim como dos grãos em geral, o principal fator fundamental é a oferta do produto. Isto ocorre pelo fato de que a oferta da soja pode ser afetada rapidamente por diversos fatores como o clima, durante o estágio de desenvolvimento. Uma estiagem de grandes proporções pode fazer com que se perca 40% da safra em pouco tempo. Isto, por sua vez, traria conseqüências imediatas como a elevação do preço do produto. Já pelo lado da demanda, ela não tende a variar rapidamente, pois os hábitos alimentares só mudam vagarosamente. A soja é utilizada principalmente para esmagamento, fornecendo farelo de soja para nutrição animal devido ao seu alto teor protéico. Já o óleo de soja, subproduto do esmagamento, é utilizado na alimentação humana. Se de repente “faltar” soja no mercado, por causa de uma estiagem, por exemplo, as pessoas não vão parar bruscamente de consumir óleo de soja, nem irão os produtores encontrar rapidamente outras alternativas para a nutrição animal. O resultado é uma elevação dos preços. Assim, com os dados da oferta e demanda, o analista fará uma projeção futura dos preços, comparando-os com preços históricos. Os principais números utilizados para esses cálculos são: Estoques iniciais: os estoques remanescentes do ano agrícola anterior; Produção: as estimativas de produção para o atual ano agrícola; Importação: quantia que necessariamente será importada de outros países (irrelevante no caso do Brasil e E.U.A., que são exportadores); Oferta total: os estoques iniciais mais produção mais as importações. Esmagamento: a demanda da indústria de esmagamento da soja; Exportações, sementes e resíduos: são as quantias destinadas a exportação, provisão de sementes para plantio e outras finalidades classificadas como residuais; Demanda total: a soma dos números do esmagamento, exportações, sementes e números residuais; Estoques finais: a diferença entre a oferta total e a demanda total. Este é o número mais importante a ser observado pelo analista e freqüentemente falado nos meios de comunicação. Outros dados utilizados são: Estoques armazenados prontos para entrega: são os estoques em armazéns licenciados pela Bolsa de Chicago e prontos para a entrega; Políticas governamentais: políticas de subsídios ou a diminuição destes, que podem restringir ou ampliar o plantio da leguminosa ou barreiras alfandegárias ou questões políticas que restrinjam o consumo; Clima: o mais importante, visto que pode afetar drasticamente a oferta do produto em pouco tempo; e Fatores sazonais: tendência cíclica dos preços que tende a elevá-los no período entressafra e a diminuí-los no período da colheita. Os dados do USDA (United States Department of Agriculture), o Departamento Norte-americano de Agricultura, são atentamente observados, visto que este órgão governamental faz estimativas oficiais tanto das produções norte-americana como sul-americana, bem como diversos relatórios referentes ao desenvolvimento da safra e fatores climáticos.

 

 

 

Quem utiliza a análise fundamental

 

A análise fundamental é utilizada principalmente pelos produtores, ao acompanhar o noticiário agrícola, e pelos grandes grupos empresariais envolvidos no agronegócio. Estes têm equipes exclusivamente dedicas à análise do mercado e contam com informantes nas principais regiões produtoras do mundo todo. Também existem as agências de notícias especializadas que fazem o acompanhamento do mercado, bem como serviços de consultoria especializados, ambos voltados para o público em geral.

 

Análise fundamental da soja

 

Partindo para um exemplo prático, vamos fazer uma “análise fundamental” do mercado da soja, neste momento. Devemos considerar alguns fatores como: a safra norte-americana ainda está sendo colhida; inicia-se o plantio da safra sul-americana com estimativas de nova produção recorde; a demanda permanece muito forte devido ao incentivo dos preços baixos nos últimos três anos; os estoques mundiais, embora suficientes, estão “apertados” em relação à forte demanda; e os fatores sazonais que favorecem a baixa dos preços no período da colheita e sua alta na entressafra. Com estes dados, poderíamos concluir que há uma tendência de baixa até que seja atingido o ápice da colheita da safra norte-americana, voltando-se então a atenção do mercado para quaisquer problemas climáticos que possam afetar a nossa safra (isto se não ocorrerem antes com provocando atrasos no plantio), favorecendo uma alta dos preços até meados de janeiro quando já estará mais ou menos definida a nossa safra. Se considerarmos o preço da soja em reais, temos que levar em conta também a tendência de desvalorização do real frente ao dólar norte-americano, que é a moeda de troca no mercado internacional.